segunda-feira, 9 de julho de 2012

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

cronica como conheci o King.

Um dia quando passava em frente ao aeroporto, deparei-me com um avião que para mim era um Xingu. Era um bugue de pára-quedismo.
Passou despercebido. No outro dia, vi o trabalho deste notável avião que aí sim chamou-me a atenção. Daí por diante comecei a freqüentar a frente do aeroporto para vê-lo em serviço.
Ia para casa no Ipiranguinha e ficava namorando ele girar base e entrar na final, aí não teve jeito, tive que saber que aeronave era esta. Porque o King Air.
Estava na avenida, já pra lá de Bagdá, voltando para casa, quando lembrei-me do tal que estava lá no pátio cobertinho. Apesar disto parecia que ele me convidava para conhece-lo:
- Vem cá, venha me conhecer.
Entrei pela cerca, com um nó na garganta, com medo de que alguém me visse, afinal o local estava abarrotado de pára-quedistas, quem sabe sonhando com os saltos do dia seguinte. Contemplei-o e parecia que me dizia:
- Olha, vou te falar uma coisa. Quer conquistar um king air? Nunca mexa em suas hélices e não toque em nada.
Passou um ano e o bugue voltou à Ubatuba. Mais uma vez eu fiz o que fiz: entrei no aeroporto, escondido para vê-lo e senti que ele estava mais íntimo e parecia me dizer:
- Na próxima, nós vamos voar juntos! (senti, mesmo sem conhecer ninguém lá, que isto se realizaria).
Passado o bugue do azul do vento, numa manhã chuvosa de janeiro, a visibilidade era mínima. Estava almoçando, quando meu pai comentou que um avião havia varado à pista. Nem terminei de almoçar e fui para o local.
Chegando lá havia um carro de bombeiro vindo não sei de onde. Tinha uma multidão de gente olhando e a avenida Rio Grande do Sul estava toda interditada.
Olhei bem, ainda sem entender o que tinha acontecido, e reconheci que era um King Air, o avião que havia varado a cerca. Sua aparência era sofrida, pois havia batido as duas hélices e uma ponta de asa no chão, arrancado a biquilha e dobrado um trem principal.

cronica 01

A cena era muito triste para mim, apesar de não ter ferido ninguém, o piloto parecia inconformado, pois, dera tudo de si para não causar maiores danos.
Mais tarde, fiquei sabendo que havia um caminhão parado na frente da pista e o piloto, para não chocar-se com ele, segurou o avião num cavalo de pau .
Naquela multidão reconheci meu amigo Thiago que também é piloto. Chamei-o para falar comigo, para trás do cordão de isolamento, onde eu me encontrava.
Perguntei-lhe: - E agora? Como retirarão esse avião daí? Para minha surpresa ele me respondeu que seria com máquinas. Eu exclamei: - Com máquinas? Isto vai machuca-lo mais ainda. Ao que ele me respondeu:
-Agora não tem jeito, não há mais o que fazer.
Percebi pelo seu tom de voz que ele também estava chateado com o tipo de remoção que iriam fazer.
Resolvi, então, ir-me embora para não ter de assistir ao triste desfecho (logo eu, que gosto tanto desse tipo avião).
Quando voltei o avião estava em cima de uma carreta, três máquinas o colocaram lá.
As máquinas ajudaram a carreta subir a pista e o King balançava de um lado para outro. Acompanhei até ele chegar no pátio do aeroporto.
Eu estava voltando quando vi um Caravan pousando. Percebi como a pista estava encharcada e com possas enormes.
Anoiteceu e fui até a avenida tomar cerveja, mas sempre com aquelas cenas na cabeça.

cronica 02

De novo fui escondido no aeroporto só que dessa vez , para ver o king incidentado, estava tendo um show dos Titãs ,ao lado desse aeroporto, e dessa vez tinha um pessoal que tomava conta do lugar, vendo o show. Ai, já viu, o senhor que tomava conta me deu uma catracada e disse:
-- O que você esta fazendo aqui dentro! e ainda perto desse avião?
Eu não discuti, pois eu estava errado! (nunca façam isso,entrar num lugar a noite sem permissão) , mas pensei comigo : quando ele for embora eu volto.
Não deu outra. Voltei, mais quietinho.Não mexi em nada, pois aquele outro KING B200 me ensinou a conquistar um king.
Nossa !! Fiquei impressionado com as hélices dobradas para trás como se fossem de plástico, e como estava sujo de barro! Mas para minha surpresa, esse King era metido !
Parecia que me me dizia :
-- O que é que tá olhando ! Nunca viu uma aeronave do meu porte?
Respondi!
-- Desse jeito não!
-- Avião que pula cerca? nunca tinha visto não ! E então ri...
Aí , ele não gostou mais ainda ,e fiquei com pena dele.
No outro dia fui visita - lo , mas agora mais íntimo, e com vontade de ajuda - lo. Mas ajuda - lo em quê ?
O que eu ? Eu , logo eu podia fazer ? Não conhecia ninguem no aeroporto e tão menos de avião. Mas mentalizei para ele :
-- Vou cuidar de você mesmo que seja escondido!
Ele pareceu me responder :
--Muito obrigado, quando eu sair daqui você vai junto !
Bom, eu não acreditei !